quinta-feira, 20 de setembro de 2018

Campanha Setembro Verde destaca a importância da doação de órgãos

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Para marcar a passagem do “Dia Nacional da Doação de Órgãos”, a ser lembrado no dia 27 deste mês, foi instituído o Setembro Verde. A iniciativa tem como objetivo ressaltar a importância da doação de órgãos. O primeiro transplante de órgãos bem-sucedido foi de um rim, ocorrido em 1954, nos Estados Unidos. Passadas mais de seis décadas, o avanço da medicina permitiu os mais variados tipos de transplantes, como os de coração, fígado, pulmões, pâncreas, pele e córnea.

Em Sorocaba, o Banco de Olhos de Sorocaba (BOS) abriga o maior centro de captação e transplante de córneas da América Latina. Fundado em 1979, o trabalho do BOS começou em uma pequena sala do Conjunto Hospitalar de Sorocaba (CHS), como relembra o superintendente da instituição, Edil Vidal de Souza. “Captávamos as córneas e enviávamos para serem transplantadas em hospitais da capital paulista. Depois, fomos para a funerária Ofebas, onde nosso trabalho começou a ganhar destaque, após a chegada do Pascoal Martinez Munhoz, gestor que assumiu o BOS com a missão de fechá-lo, mas que enxergou o enorme potencial e lutou para transformá-lo no que é hoje”, recorda.

Atualmente, o BOS realiza cerca de 500 captações por mês, ou seja, mil córneas, como comenta Hudson Silva, um dos coordenadores do banco. “Acredito que a razão para nos mantermos na liderança é consequência da grande presença do BOS. Estamos com pontos de captação em três regiões do estado: em Campinas, nos municípios de Americana, Campinas, Jacareí, Jundiaí, Piracicaba, São José dos Campos e Sumaré; na Grande São Paulo, com unidades em Itaquaquecetuba, Itaim Paulista, São Paulo, Mogi das Cruzes e Sorocaba, onde está localizada a sede, além de postos em Itapeva e Itu”, elenca. Cada uma dessas regiões é gerenciada de forma independente pela Secretaria Estadual de Saúde, através da Central de Transplantes, que segue as diretrizes do Ministério da Saúde, que regulamenta o transplante de órgãos no Brasil. As córneas são doadas a partir da autorização de familiares de pessoas falecidas.

Para que esse trabalho aconteça é preciso que existam doadores. E o Setembro Verde visa reforçar uma campanha permanente em busca dessa conscientização. Diferentemente da catarata, que ocorre com maior frequência em pessoas acima dos 60 anos, as doenças que podem levar à necessidade de um transplante de córnea podem surgir em qualquer idade, explica o médico oftalmologista Luciano Bertolini Andrade. “As principais causas do transplante de córnea são o ceratocone, a distrofia de Fuchs, também chamada de distrofia endotelial da córnea e lesões traumáticas, como arranhões causados por objetos ou infecções, a exemplo das motivadas pelo uso incorreto de lentes de contato. Essas doenças ocorrem na faixa etária entre 20 e 40 anos.”

O avanço da tecnologia na área de transplantes também contribui muito para o sucesso destas intervenções. “Uma das técnicas mais avançadas é a DMEK, de transplante lamelar, onde somente a parte interna da córnea é transplantada. Quase não há pontos cirúrgicos e a alta do paciente ocorre no mesmo dia, sendo que a recuperação total ocorre entre dois e três meses”, explica Bertolini.

Foto: GettyImages | Fonte: Jornal Cruzeiro do Sul